agualeve @ 00:18

Ter, 08/09/09

 

Apesar de ser comum a presença dos membros do governo nos espaços de informação, é a TVI que mais tempo de antena concede aos representantes do governo, através do Jornal Nacional, sendo exactamente nesse espaço e através dos comentadores que as notícias mais espectaculares são dadas a conhecer ao grande público, quase sempre tratando as peças ou factos já conhecidos em maior profundidade e através de investigação jornalística.

 

 

Manuela Moura Guedes, pivô e subdirectora de Informação, quando do arranque do Jornal Nacional frisou que o factor distintivo do noticiário que apresenta é o 'trabalho de investigação'. 'A regra é não ser subserviente ao poder. Procuramos fazer um jornal que fala sem rodeios das coisas que se passam e que preocupam os portugueses. Temos tido, felizmente, algumas coisas exclusivas', afirma. Sobre o estilo agressivo, nota que 'os portugueses têm falta disso mesmo e sentem necessidade de que haja um jornal que não esteja com rodriguinhos.' 'Continuamos a ter recusa por parte do Governo em ir responder ao nosso jornal. Houve muitos convites a ministros e não houve um que aceitasse, independentemente de nós nos propormos a ir ter com eles. Acho que não querem mesmo'.

 

Contudo o Jornal Nacional da TVI assume características inéditas, no que se entende por programa de informação, boas práticas e ética jornalistica. Provavelmente motivada pela conquista das audiências a sua pivô apresenta um jornal que funciona em função da sua opinião. A pivô comenta, senão todas, quase todas as notícias que são apresentadas como se estivesse a falar com a sua vizinha. O rigor e ética jornalística não lhe dizem rigorosamente nada, e gosta de exibir as suas opiniões que, quase sempre, ultrapassam de longe o básico e o ridículo.

 

Qualquer espectador consegue ver o entusiasmo com que uma noticia de desgraça é transmitida. Tudo isto pelo prazer ridículo que lhe dá a emoção e dramatismo de uma noticia que aumente as audiências.


O mesmo se passa quando fala sobre a crise ou o desemprego: o sorriso aumenta, tornando-se inconveniente e a discussão torna-se mais viva quando o próprio comentador do programa, Vasco Pulido Valente, não está de acordo com a pivô.

 
Todo este quadro “noticioso” parece justificar-se pela luta das audiências, interesses políticos e partidarismos que em nada dignifica a própria estação de televisão.

 

Também aqui os méritos do comentador deixam de ter impacto significativo, pelas questões muitas vezes reformuladas, em comparação com a relevância da sua escrita directa e incisiva sobre os assuntos da actualidade, demonstrando que a capacidade mediática e o poder de síntese é um atributo especial apenas de alguns comentadores. 



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