agualeve @ 13:55

Sex, 14/08/09


A crise começa a tomar conta da vida dos portugueses e um certo sentimento de impotência e preocupação entra todos os dias nos telejornais que abrem com notícias de fecho de empresas e cortes de postos de trabalho numa escalada de que não há memória. As filas nos Centros de Emprego, os pedidos de apoio junto de instituições de solidariedade são a demonstração inequívoca da gravidade do problema.

As (melhores) perspectivas avançam já que ainda este ano teremos cerca de 10% da população activa em situação de desemprego. O cenário de uma crise prolongada, que afecta de forma transversal toda a sociedade, vai exigir medidas sociais excepcionais de apoio aos desempregados e ás empresas e uma especial atenção às famílias com mais carências.

 

Mas a crise também pode ser vista como uma situação de oportunidade, e não como uma desgraça. Porque temos pela frente uma boa oportunidade para mudar o rumo dos acontecimentos, enfrentar as nossas fragilidades e acima de tudo fazer as reformas sucessivamente adiadas, muitas vezes por inércia, outras por comprometimento político ou até por falta de coragem. Sabemos todos que muitas vezes só mudamos por força dos acontecimentos e a resistência a mudar de vida é sempre difícil. Mas é útil que se reflita sobre este momento e principalmente sobre o que precisamos de fazer – de mudar.

 

O país precisa de mudar a estrutura produtiva, a qualificação das pessoas, estabelecer metas, definir rumos, criar uma estratégia e assumir responsabilidades. A falta de estratégia é, regra geral, a verdadeira razão para a crise nas empresas e nas próprias sociedades. Esta não é excepção.

O último relatório do FMI aponta que o esforço financeiro feito pelas economias mais ricas para combater a actual crise vai chegar a 3,6% do PIB. Questiona-se já se estas medidas de aumento da despesa pública terão eficácia, quando a dívida pública cresce a ritmos comparáveis aos tempos da II Guerra Mundial.

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown defendeu perante o Congresso norte-americano que o mundo deve "aproveitar a oportunidade" criada pela actual crise financeira e conseguir "que o futuro trabalhe a nosso favor". "Devemos sucumbir a uma corrida para o fundo e ao proteccionismo, que a história nos diz que no final não protege ninguém? Não. Devemos ter confiança para aproveitar a oportunidade à nossa frente e fazer com que o futuro trabalhe a nosso favor".

"Os meus antecessores Winston Churchill, Tony Blair e Margaret Thatcher vieram em tempo de Guerra para falar de Guerra. A minha mensagem é sobre uma economia global em crise e um planeta em perigo", disse Brown.

Gordon Brown sublinhou que em tempos de paz as crises são uma tarefa dos Governos, como representantes das pessoas, como última linha de defesa das pessoas.

Esta mensagem é oportuna para perceber a dimensão da crise mas também para que a política ganhe um padrão ético mais exigente e que seja um referencial claro de credibilidade e geradora de confiança, quando urge transmitir a verdade e mobilizar os cidadãos para as soluções dos problemas sem o facilistismo que temos de não querer ver a realidade e alguma “capacidade genética” de “resolvermos as coisas”, como o demonstra os últimos anos da nossa história.


Manuel Almeida
Março 2009

Publicado in Portal Lisboa.net


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